segunda-feira, 22 de abril de 2013
Nativos digitais - Revista Istoé
Nativos digitais
Sem orientação, crianças de comunidades isoladas na Etiópia aprendem a manejar tablets e começam a se alfabetizar sozinhas

CAMINHO SUAVE
Crianças em aldeia na Etiópia aprendem as primeiras letras no tablet
Para quem vive nas grandes cidades, a impressão é a de que as
crianças já nascem sabendo como mexer em computadores e celulares. Mas
será que em lugares pobres e isolados acontece o mesmo? Foi pensando
nisso que o cientista Nicholas Negroponte, cofundador e professor do
Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT),
criou um projeto de distribuição de tablets para crianças de comunidades
remotas na Etiópia. Os aparelhos foram abastecidos com aplicativos que
ensinam crianças a ler e escrever. O cientista partiu do princípio de
que é possível aprender de maneira autodidata.
Desde fevereiro, distribuiu 40 tablets
em dois vilarejos do país, ambos localizados a cerca de 100 quilômetros
da capital, Adis Abeba. Um aparelho para cada criança. São meninos e
meninas analfabetos, entre 4 e 11 anos, que nunca frequentaram uma
escola ou tinham tido contato com qualquer equipamento eletrônico. A
única instrução fornecida foi sobre como reabastecer os dispositivos. Um
adulto de cada comunidade aprendeu a carregar os tablets em uma estação
movida a energia solar.
Em poucas
semanas, as crianças já mexiam com desenvoltura nos aplicativos. Após
sete meses de experimento, algumas conseguem esboçar suas primeiras
letras e palavras. Para Matt Keller, vice-presidente de apoio global da
OLPC, o caso que mais o impressionou foi o de um garoto de 4 anos. “A
princípio pensei que ele tinha algum problema de desenvolvimento. Ele
não olhava nos nossos olhos e se escondia atrás da mãe. Mas ele foi o
primeiro em um dos vilarejos a descobrir como ligar o tablet, em apenas
quatro minutos de tentativas, e depois passou a ensinar as outras
crianças”, conta. Quando o menino conseguiu ligar o aparelho pela
primeira vez, exclamou: “Eu sou um leão!”

Fotos: Miguel ¡ngel Molina/EFE; Johann Rousselot/laif/Glow Images
Novas Tecnologias na Favela da Rocinha
RJ: Escola na Rocinha usa nova metodologia para ensinar matemática
A ideia é fazer com que cada criança aprenda matemática no seu ritmo e avance nas lições sem dúvidas.

Como tornar o ensino da matemática mais atraente? Uma escola do Rio de Janeiro,
localizada em uma das maiores favelas da cidade, levou computadores e
jogos para as salas de aulas. Essa e outras experiências foram
discutidas no Transformar, o Seminário Internacional de Educação
Inovadora, realizado pela Fundação Lemann e o Inspirare Porvir.
Aquele conceito de sala de aula que você conhece mudou. Pelo menos em
uma escola municipal no coração da Rocinha, uma das maiores comunidades
da América Latina. Nela, os 180 alunos do 7º ao 9º ano aprendem juntos.
Para cada grupo, há um professor. Os estudantes recebem um computador
portátil ou um tablet. “Fica tudo mais fácil pelo computador”, afirma a
estudante Stephanie Severo
Pelo equipamento eletrônico, leem as disciplinas, fazem os exercícios e
também podem consultar sites sugeridos pelos educadores. Todos os
acessos são monitorados.
Quando o assunto é matemática, nada de "monstro de sete cabeças".
Muitas equações são resolvidas com a ajuda de alguns joguinhos
permitidos em aula.
O modelo é semelhante ao da ONG americana New Classrooms. A metodologia
vem tomando conta das escolas públicas de Nova York. A ideia é fazer
com que cada criança aprenda matemática no seu ritmo e avance nas lições
sem dúvidas.
Na Rocinha, as avaliações também são digitais, uma acontece toda
semana. A cada dois meses há uma outra prova que vale ponto. Isso não
quer dizer que o lápis e o papel foram esquecidos. Muitas questões de
múltipla escolha são resolvidas de forma tradicional e depois a resposta
é marcada no computador.
“O objetivo desse novo modelo é personalizar 100% o processo de
aprendizagem para a necessidade e o estilo de cada um.
Assinar:
Comentários (Atom)

