Nativos digitais
Sem orientação, crianças de comunidades isoladas na Etiópia aprendem a manejar tablets e começam a se alfabetizar sozinhas

CAMINHO SUAVE
Crianças em aldeia na Etiópia aprendem as primeiras letras no tablet
Para quem vive nas grandes cidades, a impressão é a de que as
crianças já nascem sabendo como mexer em computadores e celulares. Mas
será que em lugares pobres e isolados acontece o mesmo? Foi pensando
nisso que o cientista Nicholas Negroponte, cofundador e professor do
Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT),
criou um projeto de distribuição de tablets para crianças de comunidades
remotas na Etiópia. Os aparelhos foram abastecidos com aplicativos que
ensinam crianças a ler e escrever. O cientista partiu do princípio de
que é possível aprender de maneira autodidata.
Desde fevereiro, distribuiu 40 tablets
em dois vilarejos do país, ambos localizados a cerca de 100 quilômetros
da capital, Adis Abeba. Um aparelho para cada criança. São meninos e
meninas analfabetos, entre 4 e 11 anos, que nunca frequentaram uma
escola ou tinham tido contato com qualquer equipamento eletrônico. A
única instrução fornecida foi sobre como reabastecer os dispositivos. Um
adulto de cada comunidade aprendeu a carregar os tablets em uma estação
movida a energia solar.
Em poucas
semanas, as crianças já mexiam com desenvoltura nos aplicativos. Após
sete meses de experimento, algumas conseguem esboçar suas primeiras
letras e palavras. Para Matt Keller, vice-presidente de apoio global da
OLPC, o caso que mais o impressionou foi o de um garoto de 4 anos. “A
princípio pensei que ele tinha algum problema de desenvolvimento. Ele
não olhava nos nossos olhos e se escondia atrás da mãe. Mas ele foi o
primeiro em um dos vilarejos a descobrir como ligar o tablet, em apenas
quatro minutos de tentativas, e depois passou a ensinar as outras
crianças”, conta. Quando o menino conseguiu ligar o aparelho pela
primeira vez, exclamou: “Eu sou um leão!”

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